Como Começar | How to Begin

A grande dificuldade em qualquer projecto é começar. Começo este blog pelo princípio simples: apresentar-me.

O meu nome é Anton Stark, mas aqui dou-me por António Lopo. Melhor dizendo: o nome da minha persona histórica é António Lopo, e portanto é o nome que uso em recriação. À data deste primeiro post, tenho 26 anos, e sou um quase completo (mas muito empenhado) amador no que toda ainda a estas lides.

Sempre admirei recriação, o trazer-se à vida a História que perdemos. Sempre admirei também o século XV tardio em Portugal, e sempre me fez alguma impressão o porquê de, nas nossas lições de História, ficar encaixotado e esquecido entre Aljubarrota (1385) e o início dos Descobrimentos (Tomada de Ceuta, 1415) e a época manuelina (de 1495 para a frente). Em particular, fascina-me o reinado de D. Afonso V, a época última do ideal cavaleiresco da conquista de armas – cristalizado nas magníficas Tapeçarias de Pastrana – e de transição para o Renascimento.

Ora, não havendo em Portugal qualquer grupo especializado na recriação desta época, ou sequer outros recriadores com foco exclusivo nela, decidi em finais de 2016 lançar mãos à obra e tentar eu fazer o que posso, tendo por base as fantásticas imagens das Tapeçarias. O meu objectivo é conseguir recriar de forma cuidada e rigorosa um dos pequenos homens-bons de Leiria, um pequeno proprietário obrigado a servir no exército das invasões de Marrocos. Servirá este blog para detalhar não só o que for conseguindo fazer, como também para partilhar as minhas pesquisas na área.

Agora que já dei os primeiros passos, porém, que conselhos poderei dar-vos, para quem quiser também começar? Bom, eis o que posso dizer:

1 – Pesquisa, pesquisa, e mais pesquisa

Antes de se fazer seja o que seja em recriação, é necessário ter uma boa bagagem cultural da época que se pretende retratar. Há que examinar fontes primárias – quadros, iluminuras, esculturas e outros objectos de arte da época em estudo, assim como registos históricos –  e fontes secundárias – estudos, tratados, monografias de análise (e até vídeos de YouTube) dessas fontes primárias. Recomendo também, para quem pode, a consulta de fontes estrangeiras, e de exercícios de comparação com fontes nacionais, que permitem suprir algumas lacunas. Tendo adquirido esta base, é altura de…

2 – Procurar outros recriadores

Esta é uma etapa particularmente difícil em Portugal, pelo menos por agora. Procurar outros recriadores, tanto individuais como em grupo, é a melhor maneira de aprender a fazer recriação. São pessoas que tiveram as mesmas dificuldades, dúvidas e ansiedades, e preciosas fontes de informação – não há melhor maneira de evitar erros de principiante do que ter o auxílio de quem passou por eles. Isto vale tanto para recriadores portugueses como para recriadores estrangeiros, e não hesitem em contactar tanto uns quanto outros.

3 – Criar uma Persona

Uma persona histórica é a personagem que representamos em recriação. Mais ou menos complexa, mais ou menos desenvolvida, é uma parte essencial de qualquer projecto, como irei abordar num post específico. E com tudo isto em mão, finalmente podemos começar a…

4 – Criar uma lista de equipamento

A tentação de qualquer recriador é comprar tudo o que lhe apareça à frente e que ache ser necessário à sua personagem. É um instinto tão natural quanto errado. A não ser que se seja milionário, a recriação é sempre um hobby relativamente pesado na carteira, e portanto há que fazer escolhas ponderadas. O auxílio de outros recriadores é aqui indispensável para saber o que comprar, e quais as prioridades que devemos ter em adquirir roupas, acessórios e demais pertences da nossa persona. Também esta questão será abordada noutro post futuro. Com equipamento, pesquisa e uma persona, é finalmente altura de…

6 – Lançar mãos à obra

A recriação não se faz no papel. Demore um mês ou um ano, há que dar uso ao que concebemos, e efectivamente recriar a história. Se se for membro de um grupo, pode organizar-se um evento de recriação. Se se for um recriador individual, pode-se procurar um evento próximo ou, até, um evento no estrangeiro (acreditem-me quando vos digo que as gentes lá de fora têm todo o prazer em ver recriadores portugueses dedicados).

7 – Aprender, polir, melhorar

Todos fazemos erros. O problema (universal, mas particularmente nacional) é ficarmo-nos pelos nossos erros por teimosia. A pesquisa não se deve ficar pelas primeiras leituras, o nosso método de recriação não deve ser estático. Recriar é salvaguardar sem destruir, é partilhar da forma mais imediata possível o nosso passado conjunto. Da mesma maneira que a nossa percepção do passado vai sendo alterada por novas informações, também nós devemos estar abertos à mudança. Mas, no meio de tudo isto, o importante é não esquecer…

8 – O objectivo primordial

Qualquer que seja o motivo que vos leva a fazer recriação, quaisquer que seja os vossos meios ou a vossa disponibilidade, a recriação é um hobby. Portanto, divirtam-se! E sejam bem-vindos.

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The great difficulty in any project is the beginning. I’ll therefore kickstart this blog with a simple beginning: by introducing myself.

My name is Anton Stark, but here I go by the name António Lopo. In other words, the name of my historical persona is António Lopo, and so this is the name that I use for historical reenactment. At the time of this first post, I am 26 years old, and I am an almost total (but very committed) amateur in everything regarding these affairs.

I have always admired reenactment, i.e., bringing to life the History that we have lost. I have always admired the late fifteenth century in Portugal, and it always irked me somewhat that, in our History lessons, it was boxed and forgotten between the battle of Aljubarrota (1385) and the beginning of the Discoveries (Tome of Ceuta, 1415), and the Manueline period (from 1495 onwards). In particular, I am fascinated by the reign of King Afonso V, the final years of the knightly ideal of conquest – immortalised in the magnificent Pastrana Tapestries – and the transition to the Renaissance.

Sincet there are no groups or even other reenactors in Portugal excusively focused on this era, I decided, at the end of 2016, to roll up my sleeves and try to do what I can, with the fantastic images of the Tapestries as my guides. My aim is to carefully and rigorously reenact as one of Leiria’s burghers, a small landowner required to serve as a man-at-arms in the army of the Moroccan invasions of 1471. This blog will serve not only to share my reenactment activities, but also also my research about late 15th century Portugal.

Now that I have taken these first steps, however, what advice can I give to those who are just starting out as well? Well, here’s what I can impart:

1 – Research, research, and research

Before doing anything  in reenactement, it is necessary to have a sound amount of knowledge about the period we want to portray. It is necessary to examine primary sources – paintings, manuscript illustrations, sculptures and other objects of art of the period under study, as well as historical records – and secondary sources – studies, treatises, analysis and monographs (even YouTube videos) about these primary sources. For those who are able to do so, I recommend that you also consult foreign sources, and then compare them with national sources. That allows filling in some gaps. Having acquired this base, it is time to …

2 – Search for other reenactors

This is a particularly difficult stage in Portugal, at least for the moment Looking for other reenactors, both individuals and groups, is the single best way to learn how to reenact. They are people who have had the same difficulties, doubts and anxieties, and are therefore precious sources of information – there is no better way to avoid beginner mistakes than to have the help of those who’ve made them. This is true for both Portuguese and foreign reenactors, and do not hesitate in contacting either of them.

3 – Creating a Persona

A historical persona is the character we portray in reenactment. More or less complex, more or less developed, it is an essential part of any project, as I will address in a specific post. And with all this in hand, we can finally start…

4 – Creating a list for your kit

All new reenactors are immediately tempted to buy everything and anything that they may think necessary to their portrayal. It is an instinct as natural as it is wrong. Unless you’re a millionaire, reenactment is always a relatively expensive hobby, so pondered and thoughtful choices are a must. The help of other reenactors is indispensable in knowing what to buy, and how to organise your priorities in acquiring your kit – your persona’s clothes, accessories and other belongings (an issue which will be addressed in another future post). With your kit, your research and a persona, it is finally time to …

6 – Get started

In spite of all of its inherent research, reenactment is not done on paper. Even if it takes a month or a year, you have to use what you create, and actually get out there and reenact History. If you are a member of a group, you can organise a living history event. If you are an individual reenactor, you can look for nearby events or even events abroad, and ask to join them (believe you me when I tell you that folks abroad are always appreciative of passionate Portuguese reenactors).

7 – Learn, polish, improve

We all make mistakes. The problem (universal, but particularly national) is to stick to our mistakes out of stubbornness. Research should go beyond one or two initial sources, and reenactment should not be static. To reenact is to safeguard without destroying; it is to share our common past in the strongest, most easily comprehensible way possible. Just as our perception of the past is altered by new information, so must we be open to change. But in the midst of all this, the important thing is not to forget…

8 – The primary objective

Whatever your reason for it, whatever your means or your availability, reenactment is a hobby. So have fun! And be very welcome.

 

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