Armadura Quatrocentista Portuguesa III – O Chapéu-de-armas

Due to this article’s length, I thought it wise to publish the English and Portuguese versions separately. For the English version, please click here

As modas vão e vêm, mas o chapéu-de-armas é para sempre – tanto assim é que, no seu mais essencial, sobreviveu até aos anos 40 do século XX . A publicação de hoje é uma visão panorâmica do chapéu-de-armas, uma peça de protecção da cabeça frequentemente (e erradamente) tida como primo pobre de outros elmos medievais, e da forma como foi usado em Portugal durante o final do século XV.

Celadas: Uma Breve Introdução

Apesar de um uso tão prolongado, a história do chapéu-de-armas medieval pode resumir-se em poucas linhas. Embora tipos semelhantes de capacete tivessem sido utilizados na Antiguidade, os chapéus-de-armas como os conhecemos surgem algures durante a segunda metade do século XII [1]. Os primeiros chapéus-de-armas eram construídos de forma muito semelhante à dos chamados Spangenhelms: um casco feito de bandas rebitadas de ferro ou aço, com uma aba fixada ao longo da sua extremidade inferior. A este método de construção, que perdurou até ao século XIV bem entrado, rapidamente se juntou toda uma série de outros tipos e formas. As fontes de meados do século XIII mostram calvas semiesféricos de uma só peça com abas integrais, chapéus-de-armas de construção rebitada, chapéus-de-armas em forma de balde, e outras formas mais peculiares, tais como a capelina ibérica de aba curta [2]. Enquanto tipologia, os chapéus-de-armas podem de facto ser o tipo de capacete mais variado ao longo de toda a Idade Média tardia.

Esquerda: detalhe de peão com chapéu-de-armas do caderno de desenhos de Villard de Honnecourt, fólio 2r (ca. 1230); Centro: homem-de-armas com chapéu-de-armas de uma só peça, pormenor de iluminura de uma Ressureição (ca. 1230-1250); Direita: pormenor de um Golias da Bíblia Maciejowski, fólio (ca. 1250).
Reconstrução do chapéu-de-armas dourado de Carlos VI de França, exposto no Louvre.

No seu essencial, os chapéus-de-armas são chapéus de aba, feitos em ferro ou aço. Por serem peças de equipamento relativamente baratas, rápidas e fáceis de produzir em grandes quantidades para equipar um exército, acabaram associados à peonagem rasa e à infantaria em geral. Embora não protejam o rosto em si, proporcionam um elevado grau de protecção contra mísseis e golpes de cima, ao mesmo tempo que afastam o sol dos olhos e permitem visão e respiração desafogadas. Longe de ser o capacete “dos pobres”, no entanto, esta versatilidade e o formato de base simples mas altamente personalizável, fizeram com que os chapéus-de-guerra (cascos, capacetes ou barretas em português quatrocentista [3]) fossem também usados por cavaleiros, homens-de-armas, até mesmo reis. Carlos VI de França tinha um chapel de fer dourado, descoberta em peças durante obras de construção na Cour Carré do Louvre em 1984 [4]; já D. João I, enquanto supervisionava os preparativos para o assalto à cidade de Ceuta em 1415, fazia-o ‘(…) assy com huũa cota uestida e com huũa barreta na cabeça e a sua espada çimta’ [5]. Como tipologia, portanto, os chapéus-de-armas eram tão benqueridos como outros capacetes seuscontemporâneos – não tão prestigiosos, talvez, mas certamente práticos e dignos.

Chapéus-de-guerra aos baldes

À semelhança das restantes peças de armadura, os chapéus-de-armas de finais do século XV enquadravam-se em várias categorias regionais. Tentar listar todos os tipos de chapéu-de-armas disponíveis, todas as variações regionais, seria uma empreitada fútil e frustrante (tópico perfeito para um doutoramento, em suma). Ao contrário de outros tipos de protecção para a cabeça, tais como celadas ou elmetes, podiam usar-se vários estilos diferentes de chapéu-de-armas na mesma região e em simultâneo, estilos mais antigos misturados com estilos mais recentes, peças únicas e extravagantes lado a lado com modelos corriqueiros. Feita esta ressalva, há alguns modelos mais frequentementes associados a certas áreas da Europa. Estes incluem:

Capacete (ca. 1470), Royal Armouries,
IV.500.

Chapéus-de-armas Ibéricos – O (estéreo)típico chapéu-de-armas ibérico é o capacete (em Português e Castelhano) ou cabasset (em Aragonês), usado em toda a Península [6]. Os capacete são caracterizados pelas suas abas largas em forma de quilha à frente e atrás, juntamente com arestas mediais bem delineadas e – frequentemente mas nem sempre – calvas altas e amendoadas, geralmente com uma pequena haste projectada para trás. Os capacetes eram fabricados principalmente em Castela, especialmente Burgos, e Aragão, em redor da área de Calatayud [7].

Chapéu-de-armas, provavelmente borgonhês ou flamengo (ca. 1475), Metropolitan Museum of Art, 04.3.228.

Chapéus-de-armas borgonheses – Algumas das características mais distintivas dos chapéus de guerra oriundos da Borgonha (ou, chapéus-de-armas associados ao Norte de França, Borgonha e Flandres) são as suas calvas caneladas e abas longas, caídas em ângulo fechado nas laterais e sobre a nuca e pescoço. Proporcionam portanto um maior grau de protecção que outros chapéus-de-armas. Outro estilo comum de chapéu-de-armas borgonhês, muito semelhante ao capacete ibérico, apresentava um crânio em forma de pêra, encimado por uma haste espessa e bastante pronunciada [8].

Chapéu-de-armas, da Alemanha do Sul (ca. 1460), Colecção Churburg (?).

Chapéus-de-armas alemães – Alguns dos modelos mais conhecidos de Eisenhut (lit. ‘chapéu de ferro’) em territórios de expressão alemã (Sacro Império Romano-Germânico e Suíça) têm crânios arredondados, algo acebolados, e abas longas, baixas e salientes, tão baixas que cobrem uma parte substancial do rosto e da visão de quem os usar. Por esta razão, os chapéus-de-armas deste tipo tinham frequentemente aberturas estreitas para os olhos, colocadas logo abaixo da base do crânio, conforme o exemplo à direita [9]. Os chapéus-de-armas deste tipo eram normalmente emparelhados com babeiras altas, para fechar completamente o rosto em aço.

Como disse, isto é apenas uma amostra muito pequena dos estilos de chapéus-de-armas europeus na Europa do século XV, que ignora sobreposições regionais e semelhanças entre modelos – o já mencionado parentesco entre alguns capacetes ibéricos e chapéus-de-guerra borgonhenses, por exemplo; ou o chapéu-de-armas de estilo germânico, que pode ser encontrado na Escandinávia, bem como na Europa Oriental. No entanto, é necessário conhecer alguns destes modelos para podermos ver, por comparação, como são usados em Portugal os chapéus-de-armas.

O Chapéu-de-armas em Portugal

Os chapéus-de-armas são, juntamente com as celadas, a tipologia de capacete (latu sensu) mais popularmente usada em Portugal do século XV. A documentação da época encontra-se repleta de ‘gibanetes com (…) capacetes com suas babeiras’ [10] exigidos aos acontiados avaliados em bens suficientes para servirem com eles. É fácil compreender porquê, dado o seu baixo custo mas também, e mais importante, a sua aptidão para a guerra no Norte de África, o maior e mais frequente teatro de operações em que os portugueses guerreavam.

Para o nosso período, existiam dois tipos ou estilos principais de chapéus-de-armas usados em Portugal. O mais comum pode ser visto nas Tapeçarias de Pastrana, no Tríptico de Santa Clara e em muitas outras obras de arte portuguesas de final do século XV e inícios do século XVI: consiste numa calva lisa, com um ápice central, uma aresta medial muito subtil ou inexistente, e uma aba de ângulo algo fechado, média a curta, bastante justa à cabeça – aquilo a que doravante chamarei barreta. As abas têm ou um formato de quilha suave ou, mais frequentemente, são lisas a toda a largura do capacete, sem qualquer prolongamento de aresta mesmo do crânio.

Esquerda: detalhe do Tríptico de Santa Clara (ca. 1480); Centro: detalhe do Assalto a Arzila (ca. 1475); Direita: detalhe do vitral do Tríptico da Paixão no Mosteiro da Batalha (ca. 1514).

Estes capacetes eram apertados sob o queixo usando uma correia simples ou uma correia em forma de Y, ambos tipos atestados na iconografia coeva. Este modelo geral, mas sem ponta e com um crânio liso e justo, é visto com a mesma frequência nas tapeçarias e noutras fontes:

Esquerda: detalhe do Cerco de Arzila  (ca. 1475); Centro: chapéu-de-armas, encimado por uma coroa de louros, do jacente de Duarte de Meneses (ca. 1464) [todos os direitos da foto pertencem a Hugo Carriço]; Direita: São Jorge, detalhe de uma série de frescos da igreja de Santa Maria do Castelo em Abrantes (finais do século XV) [todos os direitos da fotografia pertencem à associação Tubbuci].

Tal como as celadas mostradas nas tapeçarias, estas barretas poderiam apresentar toda uma panóplia de técnicas decorativas. Abundam os cravos de latão ou dourados, – a maioria deles arredondados ou em forma de cogumelos, juntamente com outras formas (em forma de diamenta, em forma floral). Alguns exemplos particularmente exuberantes das Tapeçarias mostram alicações de latão, por vezes simulando caneluras (quase definitivamente influenciadas pela moda borgonhesa), e muitos revestimentos de tecido. Tal como com as celadas, também há muitos exemplos na arte portuguesa de chapéus-de-armas com cimeiras e plumagens, bem como “caudas de pangolim” (pequenas lâminas de metal) para melhor proteger a nuca.

Esquerda: chapéu-de-armas com uma pequena cimeira, raios de latão decorativos e aplicações metálicas sobre a aba, detalhe do Cerco de Arzila (ca. 1475); Centro: chapéu-de-armas coberto de tecido, com plumeiro dourado, detalhe do Cerco de Arzila (ca. 1475); Direita: Chapéu-de-armas decorado com plumeiro, rebites em forma de flor, aplicações de latão e uma “cauda de pangolim”, detalhe d’A Tomada de Tânger (ca. 1475).

O segundo tipo de chapéu-de-arma comummente usado em Portugal era o capacete (strictu sensu, ou seja, o capacete ibérico), de que os portugueses gostavam quase tanto como os outros reinos ibéricos. Algumas das únicas peças de protecção de cabeça portuguesasque nos chegaram são capacetes, e aqui se inclui o capacete de Duarte de Almeida [11], e um capacete e babeira no Museu Militar de Lisboa (com a marca dos armeiros de Calatayud) [12]. Ao contrário dos chapéus-de-armas, os capacetes não eram normalmente cobertos com tecido (se é que alguma vez o foram). A decoração dos capacetes circunscrevia-se frequentemente a uma banda metálica à volta da base do crânio (geralmente latão, liso ou dourado) ou, nalguns exemplos mais extravagantes, aplicações metálicas sobre a aba [13]. As cimeiras dos capacete tendem para o pequeno, concomitantemente com as suas hastes reduzidas [14]. Além disso, não encontrei exemplos de capacetes com ‘caudas de pangolim’, talvez desnecessária por causa da largura das abas e da quilha traseira.

Ginetes com barretas e babeiras de estilo castelhano. Detalhe do quadro Aparição da Virgem a um Mestre da Ordem de Santiago (ca. 1520-1525).

Chapéus-de-armas e Babeiras

Os chapéus-de-armas, como as celadas, eram frequentemente emparelhados com babeiras (ou barbotes), bem como com gorjais de malha metálica.Obviamente, por mais sólidos que os chapéus-de-armas fossem, quaisquer ataques à cara e pescoço desprotegidos poderiam ser letais. Era portanto imperativo cobrir estas áreas desprotegidas com outras peças metálicas.

Não havia diferenças substanciais entre babeiras usadas com celadas ou chapéus-de-armas – mantinham-se os mesmos modelos de peça única ou de várias lâminas em conjunto que vemos nas tapeçarias. No entanto, no final do século, o hábito castelhano de emparelhar chapéus-de-guerra com babeiras altas com aberturas de ventilação/para os olhos parece ter criado raízes em Portugal. A arte portuguesa do período manuelino (1495 a 1521) mostra frequentemente barretas (mas não capacetes) emparelhadas com estas babeiras castelhanas.

O Chapéu-de-armas em Recriação

Tal como os seus homólogos históricos, os chapéus-de-armas são uma escolha versátil e barata em recriação. Têm também um aspecto enganadoramente simples. Por causa disso, é comum ver recriadores tentarem fazer passar chapéus-de-armas do século XIV ou anteriores como chapéus do século XV – afinal de contas, é “apenas” um chapéu de ferro. Nos detalhes é que a porca torce o rabo, no entanto, mesmo que a forma básica permaneça pouco alterada durante um ou dois séculos. Esta é também a razão pela qual mesmo alguns recriadores veteranos desencantam chapéus-de-armas ocasionalmente a baixo preço, digamos, a fabricantes menos reputáveis, para depois os adaptarem e melhorarem instalando forros adequados, removendo couros de má qualidade, substituindo rebites, etc. Contudo, um chapéu-de-armas barato não é barato devido aos seus acabamentos baratos; é barato apesar destes acabamentos. Os chapéus-de-armas precisam de um olho atento aos detalhes e às proporções adequadas (especialmente a forma do crânio, largura da aba, quilhas e ângulos), e quanto mais complexo for o chapéu, mais necessário é um olhar aguçado. Por isso, não vão no engodo dos chapéus-de-armas produzidos em massa por fabricantes indianos; qualquer armeiro respeitável pode fazer-vos um chapéu-de-armas adequado, sem dar cabo da carteira.

Um óptimo exemplo é o meu chapéu-de-armas, feito pelo armeiro Roman Furájtar (a quem deixo os meus sinceros agradecimentos). O desenho da peça foi baseado em vários dos capacetes das Tapeçarias, com uns toquezinhos de peças existentes, tais como o IV.532 das Royal Armouries e o n.º 14.25.582 do MET [15]. Agora, diga-se, usou-se aqui um atalho: pedi ao Roman que o fizesse em duas metades soldadas. Não me esquivo aos tomates e à fruta podre. Direi apenas que não teria enveredado por este caminho – contra o qual, regra geral, me oponho – se não tivesse visto em primeira mão a capacidade do Roman neste método de trabalho, cujo resultado final é quase indistinguível de um chapéu-de-armas feito de um único pedaço de aço (é quase necessária uma lupa para ver quaisquer vestígios de solda).

A minha barreta. Notem-se as pequenas manchas negras que sobram da fase de polimento. Detalhes como estes dão muita autenticidade e carácter à peça.
Vista interior do chapéu-de-armas, mostrando o forro e a correia do queixo.

Como em qualquer peça feita à medida, o processo de desenho envolveu muita pesquisa e muito diálogo com o artesão, para garantir a acuidade de cada detalhe. O ângulo e dimensões da aba ofereciam alguma dificuldade inicial, mas chegámos a um resultado satisfatório suficientemente rápido. Decidi que este chapéu-de-armas deveria ter uma aresta quase vestigial que não atinge sequer a aba, para lhe dar um certo ar de peça de produção massificada bem polida e terminada com acabamentos de qualidades. A poupança em ter o casco feito em duas metades foi contrabalançada por estes outros detalhes, incluindo os rebites de latão e o forro historicamente correcto (feito de materiais históricos e cosido à mão por Tomasz Tomecki, da alfaiataria histórica AD1410). Contas feitas, esta peça historicamente correcta que passou por pelo menos seis países para chegar às minhas mãos ficou em cerca de 450 euros (incluindo os custos de portes de todas estas viagens). Identifiquem correctamente os vossos artesãos, saibam exactamente o que querem e o que eles vos conseguem fazer, e os chapéus-de-armas podem ser o melhor e mais barato tipo de elmo quatrocentista que podem arranjar.

[1] Veja-se Blair, C. (1972). European Armour: circa 1066 to 1700. London: B. T. Batsford Ltd., p. 32.

[2] Vistas em abundância nos manuscritos das Cantigas de Santa Maria. Há algum debate sobre as diferenças entre as capelinas e outros tipos de chapéu-de-armas do século XIII na Península Ibérica (ver por exemplo Bruhn de Hoffmeyer, A. (1982).  Arms & Armour in Spain: A Short Survey, Volume 2. Madrid: Editorial CSIC, p. 144-149). As capelinas, que apareceram no início do século XIII, eram adaptações directas do antigo capelo; eram, na sua essência, capelos com uma borda adicional. Em meados do século XIV, já outros tipos de chapéu-de-armas tinham substituído a capelina, mas o nome ainda se aguentou – em Portugal, só foi substituído por barreta no início do século XV.

[3] Veja-se Agostinho, P. (2012). Vestidos para matar: o armamento de guerra na cronística portuguesa de quatrocentos. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, pp. 76-78. Tal como com as capelinas e outros termos, pode por vezes ser confuso conhecer as especificidades por detrás de cada palavra. Tanto casco como capacete são termos genéricos para “protecção de cabeça” em português, enquanto barreta e chapéu-de-armas designam tipos específicos de armamentos. Agostinho afirma que barreta e chapéu-de-armas são sinónimos. Eu diria ainda que barreta está ligado a um tipo específico de chapéu de guerra do século XV – com calva redonda, semi-esférica e uma aba bastante curta, em emulação de um barrete. Comparem-se as muitas representações de chapéus-de-armas nesta publicação com o barrete no retrato de João I, no Museu Nacional de Arte Antiga.

[4] Veja-se Vaivre, J. (1991). “Deux défenses de tête de Charles VI”, in Bulletin Monumental, 1 (149), pp. 91-100.

[5] Em Zurara, G. (1915). Crónica da Tomada de Ceuta por El Rei D. João I. Lisboa: Academia das Sciências de Lisboa, p. 195.

[6] Os capacetes são frequentemente abordados em separado, à margem dos chapéus-de-armas, como se de uma tipologia exótica se tratasse. Embora existam várias variações de capacete, eles não deixam de se enquadrar na supercategoria dos chapéus-de-armas, partilhando os mesmos princípios básicos de construção e uso com todas as outras variações regionais e estilísticas.

[7] Sobre a produção armeira em Calatayud, ver Tarradelas, V. (2015). Calatayud, Cuna de Armeros. Calatayud: Centro de Estudios Bilbilitanos/Institución «Fernando el Católico».

[8] Tal como representado, por exemplo, no belo manuscrito borgonhês da Teseida de Bocaccio, actualmente na Österreichische Nationalbibliothek. Um espécime particularmente bom deste estilo, provavelmente restante do cerco de Carlos o Temerário de 1474-75, foi encontrado perto da cidade de Neuss, e está actualmente no Museu Clemens-Sels em Neuss (é apresentado na tese de Matthias Goll, arm_ref_2094) .

[9] Estes chapéus-de-armas partilham algumas semelhanças – profundidade e aberturas para os olhos – com as celadas ao estilo alemão, tais como as peças n.º  14.25.576 ou 04.3.229 no MET, ousnº.  IV.410 e IV.429 no Royal Armouries, para citar apenas alguns exemplos.

[10] Tal como registado no livro de apontamentos de Álvaro Lopes de Chaves, secretário de D. Afonso V e de D. João II, em Chaves, A. (1984). Livro de Apontamentos (1438-1489). Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda, p. 56. Este é apenas um exemplo entre muitos de uma fórmula recorrente (gibanete com chapéu-de-armas e babeira) em documentação coeva.

[11] Guardado na Catedral de Toledo, juntamente com os elementos sobreviventes do arnês de Duarte de Almeida. Como a grande maioria dos outros capacetes, o capacete de Almeida está marcado com o pé-de-corvo do Calatayud. Para mais detalhes e boas fotografias das marcas, veja-se La Rocca, D. (2011). “Afonso ‘the African’ and his Army: The Pastrana Tapestries as a Visual Encyclopedia for the Study of Arms and Armour”, em Ibarra, M. A. de B. (2011). The Invention of Glory: Afonso V and the Pastrana Tapestries, p. 31.

[12] Publicado em Barroca, M. J. e Monteiro, J. G. (Coords.) (2000). Pera Guerrejar – Armamento Medieval no Espaço Português. Palmela: Câmara Municipal de Palmela, pp. 253-254.

[13] Dois bons exemplos disto são o capacete do Museu Provincial de Teruel, com um desenho de corda apliqué aplicado na aba, e o misterioso capacete negro da Real Academia de la Historia, inv. n.º 673 (veja-se Rodríguez, J. (2006). Antigüedades Medievales. Madrid: Real Academia de la Historia , pp. 85-86; 192-195 ).

[14] Um bom exemplo disto é o capacete  do rei Fernando II no Kunsthistorisches Museum em Viena (Hofjagd- und Rüstkammer, A 645), de cerca de 1490, feito em Calatayud, encimado por uma pequenina cimeira em forma de cruz.

[15] Falho em entender porque é que este chapéu-de-armas em particular é classificado como sendo “provavelmente do século XVII”. No entanto, partilha quase todas as características com as barretas mostradas nas Tapeçarias, o que só serve para mostrar o quão básico (no melhor sentido) e duradouro o desenho-base de um chapéu-de-armas é.

BIBLIOGRAFIA

Agostinho, P. (2012). Vestidos para matar: o armamento de guerra na cronística portuguesa de quatrocentos. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra

Barroca, M. J. e Monteiro, J. G. (Coords.) (2000). Pera Guerrejar – Armamento Medieval no Espaço Português. Palmela: Câmara Municipal de Palmela

Blair, C. (1972). European Armour: circa 1066 to 1700. London: B. T. Batsford Ltd.

Bruhn de Hoffmeyer, A. (1982). Arms & Armour in Spain: A Short Survey, Volume 2. Madrid: Editorial CSIC

La Rocca, D. (2011). “Afonso ‘the African’ and his Army: The Pastrana Tapestries as a Visual Encyclopedia for the Study of Arms and Armour”. Em Ibarra, M. A. de B. (2011). The Invention of Glory: Afonso V and the Pastrana Tapestries, pp. 29-41

Mann, J. (1933). “Notes on the armour worn in Spain from the tenth to the fifteenth century”. Em Archaeologia, V. 83,  pp. 285-305. London: Society of Antiquaries of London

Riquer, M. (2011). – L’Arnès del Cavaller. Barcelona: La Magrana

Rodríguez, J. (2006). Antigüedades Medievales. Madrid: Real Academia de la Historia

Tarradelas, V. (2015). Calatayud, Cuna de Armeros. Calatayud: Centro de Estudios Bilbilitanos/Institución «Fernando el Católico»

Vaivre, J. (1991). “Deux défenses de tête de Charles VI”, in Bulletin Monumental, 1 (149), pp. 91-100

Zurara, G. (1915). Crónica da Tomada de Ceuta por El Rei D. João I. Lisboa: Academia das Sciências de Lisboa

FONTES VISUAIS

Bíblia Maciejowski (ca. 1250). New York, Pierpont Morgan Library, M.638.

Honnecourt, V. (ca. 1230). Album de dessins et croquis. Paris: Bibliothèque nationale de France, BNF Français 10903. Disponível em https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/btv1b10509412z/f5.item.r=villard%20de%20honnecourt.

Mestre da Lourinhã (ca. 1520-1525). Aparição da Virgem a um Mestre da Ordem de Santiago  [óleo sobre madeira de carvalho]. Lisboa: Museu Nacional de Arte Antiga

Mestre desconhecido (ca. 1475). Cerco de Arzila [lã e seda]. Tapeçaria. Pastrana: Museu da Colegiada. Disponível em http://tapestries.flandesenhispania.org/index.php/Siege_of_Asilah_(Cerco_de_Arcila)

Mestre desconhecido (ca. 1475). Desembarque em Arzila [lã e seda]. Tapeçaria. Pastrana: Museu da Colegiada. Disponível em http://tapestries.flandesenhispania.org/index.php/Disembarkation_in_Asilah_(Desembarco_en_Arcila)

Mestre desconhecido (ca. 1475). Entrada em Tânger [lã e seda]. Tapeçaria. Pastrana: Museu da Colegiada. Disponível em http://tapestries.flandesenhispania.org/index.php/The_taking_of_Tangier_(Toma_de_T%C3%A1nger)

Mestre desconhecido (ca. 1475). Tomada de Arzila [lã e seda]. Tapeçaria. Pastrana: Museu da Colegiada. Disponível em http://tapestries.flandesenhispania.org/index.php/Assault_on_Asilah_(Asalto_de_Arcila)

Mestre desconhecido (ca. 1514).  Tríptico da Paixão  [vitral]. Batalha: Mosteiro de Santa Maria da Vitória

Mestre desconhecido (ca. 1230-1250). Resurreição [têmpera e tinta sobre pergaminho]. New York: Metropolitan Museum of Art, 25.204.3. Disponível em https://www.metmuseum.org/art/collection/search/170006543

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