Peça do Mês VII

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PEÇA DO MÊS VII – DADO DE OSSO

Colecção: Reserva Arqueológica Municipal de Montemor-o-Novo (MNCAST[7/09]0165)

Datação: Séculos XV-XVI

Proveniência: Castelo de Montemor-o-Novo

Local de Manufactura: Desconhecido

Dimensões: 1cm de comprimento × 1cm de largura x 1cm de altura

Peso: Desconhecido

Materiais: Osso

Descrição: Um dado de osso muito pequeno e simples, grosseiramente talhado, com  uma pequena imperfeição numa das faces. Podemos encontrar mais informações sobre estes dados na base de dados (!) MorBase* sobre achados na vila baixo-medieval/pré-moderna de Montemor-o-Novo, aqui.

Dado 2
Perspectiva isométrica do dado. Note-se o ponto descentrado na face do número cinco.

Dados como este eram condição indispensável em jogos de azar durante a Baixa Idade Média. Costumavam marcar presença assídua nas bolsas da populaça como formas populares de passar o tempo (e ganhar algumas moedas no entretanto), e aparecem em grande quantidade em sítios arqueológicos – o presente espécime foi encontrado, como o foram vários outros exemplos, nas zonas residenciais no interior das muralhas do Castelo de Montemor-o-Novo.

Nas palavras do grande medievalista António de Oliveira Marques, “o jogo dos dados era o mais antigo, o mais popular e o mais perseguido pelas autoridades. Praticavam-no nobres e plebeus e até soldadeiras” [1], em casas de jogo chamadas “tavolagens” [2]. Os dados eram tão detestados pelos poderes instituídos que, durante o século 15, estavam proibidos durante períodos santos, e o jogo com dados falsos ou chumbados resultava em açoite público, multas pesadas e desterro para as Ilhas – ou desterro para Ceuta, caso o batoteiro fosse de sangue nobre [3]. Significativa melhoria, este estado de coisas,  em relação à lei do século XIV, que prescrevia a pena de morte para este mesmo crime.

 

[1] Oliveira Marques, A. (2010). A Sociedade Medieval Portuguesa – Aspectos do Quotidiano. Lisboa: Esfera dos Livros, p. 234.

[2] Idem, p. 233.

[3] De acordo com as Ordenações Afonsinas, a maior compilação de leis do século XV em Portugal. Em Freitas, D., Heitor, I., Maia, A., Marques, J. e Ventura, L. Ordenações Afonsinas [Em-linha]. Coimbra: Universidade de Coimbra, título XXXX, pp. 146-147. Disponível em http://www.ci.uc.pt/ihti/proj/afonsinas/l5pg146.htm .

 

BIBLIOGRAFIA

Freitas, D., Heitor, I., Maia, A., Marques, J. e Ventura, L. Ordenações Afonsinas [Em-linha]. Coimbra: Universidade de Coimbra. Disponível em http://www.ci.uc.pt/ihti/proj/afonsinas/ [edição facsimilada de Almeida, M. e Martins, J. (1792). Ordenaçoens do Senhor Rey D. Affonso V. Ordenações Afonsinas. Coimbra: Real Imprensa da Universidade]

Oliveira Marques, A. (2010). A Sociedade Medieval Portuguesa – Aspectos do Quotidiano. Lisboa: Esfera dos Livros

 

*PARA MAIS INFORMAÇÕES SOBRE O PROJECTO MORBASE, CONSULTE https://montemorbase.com/
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