Vestidos para Matar – O Armamento de Guerra na Cronística Portuguesa de Quatrocentos – Crítica | Review

Vestidos Para MatarVestidos para Matar – O Armamento de Guerra na Cronística Portuguesa de Quatrocentos

Paulo Jorge Simões Agostinho

A Hoplologia portuguesa é marcada por poucas mas muito preciosas obras, infelizmente bastante espaçadas entre si no tempo. Apesar de ter sido publicado já em 2012, o volume de Paulo Jorge Simões Agostinho é uma das mais recentes e mais importantes contribuições para o estudo do armamento de finais da Idade Média.

Esta obra é uma versão polida, alargada e melhorada da dissertação de mestrado do autor, e consiste num levantamento e análise exaustivos das menções a armamento a partir de várias crónicas do século XV – ou seja, o panorama do armamento que se pode traçar a partir delas. Depois de uma introdução e da apresentação das crónicas analisadas, o cerne do trabalho em si mesmo divide-se em duas partes. A primeira parte, “Defender”, aborda aquilo a que Paulo Agostinho chama “defesas exteriores” – essencialmente, tipos e subtipos de escudo – e os vários elementos de protecção corporal que compõe o arnês. A segunda parte, “Atacar”, divide-se também ela em dois capítulos – um sobre as armas ditas “de mão”, outro sobre as armas de tiro ou de fogo. A estas partes segue-se uma brevíssima conclusão.

O trabalho de Paulo Agostinho é merecedor dos maiores louvores. O domínio das crónicas e do seu contexto de produção por parte do autor é testemunhado pela habilidade com que manuseia o pequeno pormenor e o liga, num todo coeso – isto para não falar do valiosíssimo Apêndice Documental, aposto ao final da obra, um recurso de singular importância e riqueza para quem estuda o armamento. A estrutura de apresentação é clara, a linguagem é límpida, coerente e de leitura fácil. Há, contudo, três principais problemas que afloram um pouco por todo o volume:  uma aceitação praticamente acrítica do conteúdo das crónicas — as crónicas não são questionadas na sua validade, na sua precisão ou falta dela; a escolha de trabalhos académicos para cotejo, alguns dos quais já datados ou não aplicáveis tal-qual ao contexto português; e uma selecção exígua das crónicas que deixa praticamente de fora a segunda metade do século XV.

Estas três questões em conjunto dão uma imagem do armamento português menos sólida do que o autor decerto desejaria –  isto sem, ressalve-se, deixar de ser de um trabalho fundamental e de suma importância.

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Vestidos Para MatarVestidos para Matar – O Armamento de Guerra na Cronística Portuguesa de Quatrocentos

Paulo Jorge Simões Agostinho

Portuguese Hoplology is marked by few but very ambitious pieces of research. In In spite of having been published in 2012, this volume by Paulo Jorge Simões Agostinho is one of the most recent and most important contributions to the study of Portuguese arms and armour at te end of the Middle Ages.

This work is a polished, expanded and improved version of the author’s MA dissertation from 2006. It consists of an exhaustive survey and analysis of the references to armaments in several 15th century chronicles – to put it another way, it tries to show what we can learn about armaments from these chronicles. After an introduction and a presentation of the chronicles used by the author comes the core of the work, divided into two parts. The first part, “Defender” (To Defend), addresses what Paulo Agostinho calls “external defenses” – types and subtypes of shield -, and the many pieces of equipment that make up a harness. The second part, “Atacar” (To Attack), is also divided into two chapters – one on so-called “hand to hand” weapons, another on ranged weaponry, including firearms. These two parts are followed by a very brief conclusion.

Paulo Agostinho’s work is deserving of the highest praise. The author’s mastery of chronicles is evident in the skill with which he brings together the smallest of details and connects them as part of a cohesive whole. The book’s structure is clear, with consistent, engagin writing, and it includes and extremely valuable Documentary Appendix at the end – a singularly important resource for anyone who studies arms and armour. This is not to say that Agostinho’s work is flawless. In fact, there are three recurrent issues throughout the book: a practically uncritical acceptance of the chronicles – the chronicles are usually not questioned regarding their validity, their accuracy or lack thereof; the choice of scholarly reference works, some of which are already outdated or are not fully applicable in a Portuguese context; and a comparatively small sample of later chronicles, which practically leaves out the second half of the 15th century.

Taken together, these three issues somewhat cloud the picture of Portuguese armament than the author tried to paint. Nevertheless, this volume stands out as a key piece of research for any Portuguese scholar.

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