Peça do Mês III

Due to this article’s length, I thought it wise to publish the English and Portuguese versions separately. For the English version, please click here.

PEÇA DO MÊS III – PASSADOR EM T

Colecção: Centro de Arqueologia de Lisboa (PF.00/R9-10[1316])

Datação: século XV (segunda metade)

Proveniência: Praça da Figueira, Lisboa

Local de Manufactura: Desconhecido

Dimensões: 6cm de comprimento × 5.5cm de largura

Peso: Desconhecido

Materiais: Liga de cobre em molde

Descrição: Este belíssimo e muito bem conservado passador em T, apresentado no catálogo da exposição “Lisboa 1415 Ceuta” (p. 98) é testemunho de uma tendência em Portugal durante o século XV, de cintos apertados não por meio de fivelas mas por meio de um passador ancorado no cinto, à semelhança de um moderno botão de punho.

Passador
O passador em T encontrado na Praça da Figueira.
Passador 2
Trombeteiro na tapeçaria “Assalto a Arzila”, com cinto de passador em T.

Tudo indica que os cintos deste tipo tenham sido popularizados só na Península Ibérica de Quatrocentos – isto apesar de termos achados arqueológicos em tudo semelhantes desde o período romano, visigótico e moçárabe [1]. O ressurgimento e disseminação desta tipologia pode apontar para alguma influência granadina .

À excepção de duas ou três fontes visuais no estrangeiro que fazem uso deste tipo de cinto como elemento “exotizante” [2] em cenas bíblicas, só encontramos representações e achados arqueológicos destes cintos dos Pirinéus para cá. Em Portugal, para além de vários achados um pouco por todo o país [3], temos representações dele quer nas tapeçarias de Pastrana, quer nos Painéis de São Vicente.

Infelizmente, para algo tão único e tão nosso, os cintos de passador em T parecem não ter gozado de grande sucesso: apesar de um período áureo de uso nos séculos XV e XVI, não parecem ter chegado a ver o século XVII.

 

[1] Veja-se Marinetto Sénchez, P. (2013). Armas y Enseres para la defensa Nazarí. Alhambra: Museo de Alhambra, p. 51. Esta hipótese carece ainda de investigação adicional.

[2] O melhor exemplo é o Massacre dos Inocentes pintado por Matteo di Giovanni entre 1450 e 1500, hoje guardado no Museo di Capodimonte.

[3] Temo-los de Coimbra, Lisboa, Beja, Figueira de Castelo Rodrigo (Guarda), Amares (Braga), do Forte de São João Baptista da Foz (Porto)…

 

BIBLIOGRAFIA

Banha da Silva, R., Teixeira, A., Villada Paredes, F. (Coords) (2015). Lisboa 1415 Ceuta [catálogo de exposição]. Lisboa: Ciudad Autonoma de Ceuta/Câmara Municipal de Lisboa

Barroca, V. (2003). “Sobre a cronologia dos Passadores em T”. Em Arqueologia, 19. Porto: GEAP, pp. 147-152

Fareleira, L. (2014). O Estudo dos “Outros Materiais” provenientes do Museu Nacional de Machado de Castro [dissertação de mestrado]. Coimbra: Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

Marinetto Sénchez, P. (2013). Armas y Enseres para la defensa Nazarí. Alhambra: Museo de Alhambra

Martins, C. (2001). “Sobre a Cronologia dos ‘Passadores em T’ e um conjunto cerâmico dos sécs. XV/XVI (Escarigo, Figueira de Castelo Rodrigo). Em O Arqueólogo Português, IV (19). Lisboa: Museu Nacional de Arqueologia, pp. 247-258

Advertisement

3 thoughts on “Peça do Mês III

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s